DivannRecanto da Luz Divina

Sala das Lembranças

A memória nem sempre mora no passado.

Às vezes, ela se senta ao nosso lado enquanto passamos um café, olhamos uma fotografia antiga, tocamos um objeto esquecido ou ouvimos, de repente, uma música que atravessa o coração.

Esta sala nasceu para acolher essas presenças.

Aqui vivem pessoas que fizeram parte da minha caminhada. Algumas ainda caminham ao meu lado. Outras já seguiram por caminhos diferentes. Há também aquelas que partiram, mas continuam habitando os gestos, as palavras e os valores que deixaram em mim.

Minha família está aqui.

Os meus filhos, com suas histórias, seus desafios, seus acertos e suas diferenças. Meu marido, com quem compartilhei uma vida inteira, feita de encontros, desencontros, alegrias, dores e permanências que só o tempo consegue explicar.

Minha mãe também continua vivendo neste lugar. Os últimos anos ao lado dela me ensinaram que cuidar de alguém é muito mais do que realizar tarefas. É aprender que o amor também se manifesta na paciência, na presença silenciosa e na coragem de permanecer quando o caminho se torna difícil.

Minha irmã aparece muitas vezes entre estas lembranças. Nossa história nunca foi feita apenas de dias fáceis. Como acontece em tantas famílias, houve distâncias, aproximações, aprendizados e recomeços. Ainda assim, a vida encontrou maneiras de nos lembrar que os laços verdadeiros também sabem voltar quando mais precisamos deles.

Nesta sala também moram amizades que o tempo escolheu preservar. Pessoas que chegaram para permanecer por uma estação e pessoas que continuam fazendo parte da minha travessia. Cada uma deixou uma marca, um ensinamento ou um abraço que ainda encontro quando fecho os olhos.

Há lembranças que nasceram nas práticas espirituais, nas orações, nos momentos de silêncio, nos encontros de fé e nos estudos que alimentaram a minha busca por compreender melhor a vida, as emoções e a presença de Deus em cada caminhada. Nunca encontrei todas as respostas. Encontrei algo ainda mais precioso: a disposição de continuar aprendendo.

Também há espaço para os pequenos sinais da vida cotidiana. Um desenho feito por um filho ainda criança. Um quadro pintado em um momento de inspiração. Uma receita preparada para quem eu amo. Um animal que escolheu a minha companhia e, sem perceber, ajudou a curar partes de mim que nenhuma palavra alcançava.

Com o passar dos anos, compreendi que lembrar não é viver preso ao que passou.

Lembrar é reconhecer as raízes que continuam alimentando quem somos.

Por isso, esta sala não existe para cultivar saudades.

Ela existe para agradecer.

Cada lembrança que repousa aqui ajudou a construir a mulher que continuo aprendendo a ser.

E, enquanto houver gratidão, nenhuma história estará verdadeiramente perdida.

Memórias desta sala

Textos que encontraram morada aqui.

Preparando as memórias desta sala…