Toda casa tem uma porta.
A minha também.
Mas existe uma porta que não foi construída com madeira, ferro ou pedra. Ela foi erguida pela fé, pela responsabilidade espiritual e pela profunda certeza de que nunca caminhamos completamente sozinhos.
É por isso que chamo este lugar de Porteira Sagrada.
Ela não separa pessoas.
Ela separa intenções.
É o espaço onde, todos os dias, recordo que a liberdade de seguir o meu caminho também pede discernimento para escolher por onde caminhar, humildade para reconhecer os próprios limites e coragem para permanecer fiel ao propósito que Deus escreveu para a minha vida.
Aqui vivem símbolos da minha caminhada espiritual. Cada firmeza, cada oração e cada gesto realizado neste lugar nasce do mesmo sentimento: gratidão.
Gratidão por todas as vezes em que fui protegida sem perceber.
Por todos os caminhos dos quais fui desviada sem compreender.
Por todas as portas que permaneceram fechadas até que eu estivesse pronta para atravessá-las.
Na tradição espiritual que abraço, aprendi a reconhecer a presença daqueles que guardam os caminhos, fortalecem a coragem, inspiram escolhas mais conscientes e nos lembram de que toda força verdadeira deve caminhar de mãos dadas com a ética, a responsabilidade e o amor.
Nunca os enxerguei como atalhos.
Sempre os reconheci como companheiros de travessia.
Eles não vivem a minha vida por mim.
Não fazem as escolhas que me pertencem.
Não retiram as pedras do caminho.
Mas ajudam a iluminar os passos quando o coração permanece sincero diante de Deus.
Talvez seja por isso que eu volte tantas vezes a esta porteira.
Não para pedir privilégios.
Mas para renovar o compromisso de viver com mais consciência, mais verdade e mais respeito por tudo aquilo que me foi confiado.
Este é um lugar de firmeza, mas também de gratidão.
De proteção, mas também de responsabilidade.
De força, mas, acima de tudo, de confiança.
Porque aprendi que nenhuma proteção espiritual substitui a honestidade do coração, a retidão das escolhas ou o esforço diário para ser uma pessoa melhor.
Se existe algo que desejo guardar nesta porteira, é esta lembrança:
Os melhores caminhos não são, necessariamente, os mais fáceis.
São aqueles pelos quais seguimos em paz, sustentados pelo amor de Deus e amparados por todas as presenças de luz que, silenciosamente, caminham conosco.
Memórias desta sala
Textos que encontraram morada aqui.
Preparando as memórias desta sala…